6.5.18

O vampiro vegetariano




Autor: Carlo Frabetti*
Ilustração: Meritxell Durán
Tradução: Heitor Ferraz Mello
Série: Barco a Vapor, Laranja, n. 5
Editora: SM



* his heart is in the right place and his mindwork is pretty fine

Muito ágil e bem humorada, essa narrativa, organizada em capítulos curtos, se desenrola principalmente através dos diálogos.

Há referências muito específicas e amorosas -- Bela Lugosi como Drácula (filme de 1931), Nosferatu (o filme do Murnau, de 1922), o romance do Bram Stoker, Guerra nas Estrelas... Aparecem também jogos de palavras, estereótipos e clichês que vão sendo inteligentemente desmontados para que a trama se resolva.

Em outras palavras, o autor demonstra um tal controle técnico que o narrador permanece invisível e a história se conta praticamente sozinha. As ferramentas do escritor são então postas a serviço de uma narrativa que embaralha os contornos maniqueístas do mundo, dotando de complexidade e consistência tanto os mocinhos quanto os vilões, esses nossos velhos conhecidos.

As ilustrações (em preto & branco) são ótimas, condizentes com o espírito do texto, inclusive no uso que fazem das sombras para compor o ambiente de mistério farsesco. A edição utiliza alguns detalhes dessas ilustrações para acompanhar os elementos pré e pós textuais e o resultado é muito bom. As intervenções na cor e no formato de algumas letras (título e autor) na capa também são muito eficazes e atraentes.

A mensagem do texto parece ser a de que as crianças levam uma vida muito mais interessante do que a dos adultos porque sabem lidar com os fatos e elementos da cultura como as coisas vivas que eles são.


P.S. Este livro é tão bom que os problemas que identifico nas ilustrações se parecem mais com oportunidades do que com defeitos. A imagem da Lúcia de pé nos ombros do senhor Lucarda é muito constrangedora e não reflete a ação descrita no texto. Será que registra a cena anterior, quando o sr. Lucarda se sentiu mal? Dá pra pensar em diversas maneiras pelas quais esse constrangimento poderia ter sido evitado. Por que será qua a ilustradora escolheu desenhar a cena desse jeito?

As caixas de correspondência, por sua vez, nos instigam a tentar desenhar uma configuração diferente e a brincar com a escrita espelhada, que tanto divertiu as minhas meninas nos primeiros anos de escola.


           


P.P.S.  a origem e o nome italianos do autor + as figuras humanas nas ilustrações + os filmes antigos + a atmosfera às vezes surreal (parece que tem trilha sonora em alguns trechos) = Federico Fellini 💗


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