A bola de linho e cordão
Foi uma de cinco marias
Pegou garnizé de raspão
Sorveu água fresca da bilha
Com ela o menino ameniza
O mormaço do pátio sem brisa
A mão é a forma do pano
A força que molda e amassa
Mais leve, o cordão entre os dedos
Se enreda num ata-e-desata
A destra arremessa pro alto
O corpo responde num salto
O pouso nem sempre é conjunto
Cada um cai no chão e derrapa
Com o tempo, a sujeira do mundo
Dispõe sobre a bola uma capa
E depõe a favor do brinquedo:
Viveu com amor esse enredo
E quando a pelota se ausenta
O olho percorre a paisagem
Arbusto, capim, suculenta
Menino que pede passagem
Procura essa bola de pano
Daqui até o rio-oceano
Encontra o botão verde-azul
Que perdeu na semana passada
Encontra o Cruzeiro do Sul
Se olha pro céu da invernada
A bola de linho, ela mesma
Sumiu feito trilha de lesma
Mas sabe que nada é pra já
Talvez num futuro distante
Se um dia o sertão virar mar
Será descoberta importante
A bola, brinquedo bem feito
Menino, da obra o sujeito

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