Onde estavas, lugar?
Em que chão, em que ar?
Onde fostes depois de me abandonar?
Arnaldo Antunes
Gosto da noção de 'lugar' como espaço habitado (obrigada, Stela Barbieri!). Entre outras coisas, ilumina leituras antigas sobre intimidade, nichos e outros desvãos da poética do espaço. Também empresta nitidez ao perfil de coisa compartilhada que o espaço de leitura tem.
Para criar tais espaços compartilhados, seria preciso, antes de tudo, construir um repertório comum, um arquivo de experiências boas em torno das histórias e dos livros, uma coleção de expressões, situações, personagens e paisagens evocativas. Bem ancorado nessas lembranças, o novo leitor se tornaria capaz de encontrar/fabricar lugares de fruição (da palavra escrita, da imagem, da canção) no ambiente que lhe coube habitar ou visitar.
Podemos dizer, por isso, que os quatro fatores imprescindíveis para o advento de espaços de leitura são na verdade três:
- saber usar o feitiço Protergo Maxima para criar nichos onde adulto, criança e livro possam interagir e experimentar livremente;
- saber usar o feitiço Fianto Duri para que essas experiências tenham chance de se multiplicar e frutificar;
- ser capaz de suspender, por fim, todos os feitiços protetores e deixar a vida acontecer.
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