2.12.18

Pequena lista de coisas-pra-fazer


... construída a partir do que disse o Bartolomeu de Campos Queirós, aqui.

"A beleza", disse ele, "é tudo aquilo que vc não dá conta de ver sozinho".

  • Pensar os efeitos do individualismo exacerbado sobre a experiência estética e, ao mesmo tempo, pensar (celebrar) o efeito das experiências de beleza (principalmente as mais precoces) sobre o individualismo, traço que a nossa cultura encoraja e festeja;
    .
  • Lembrar sempre como a desigualdade tinge de tristeza a epifania da experiência estética:
A última vez que Natil e Rose vieram a minha casa, dezembro, decidimos jantar fora. No caminho, passamos pela Faria Lima e, diante do Shopping Iguatemi, avistamos as grandes árvores com tronco e galhos inteiramente cobertos por minúsculas lampadazinhas, jaboticabas de luz branca, como se o brilho viesse de dentro. Ficaram como duas meninazinhas trêmulas e de olhar arregalado. Caindo em compaixão, dispararam a lembrar um sem número de amigos e familiares que precisavam estar ali: “Ah! mas o Renato devia estar aqui!, “A Penha tinha que ver isso”, “Por que que a gente não carregou a Roseli?!” Aos poucos - como fosse o espetáculo demasiadamente reservado, vedado aos companheiros e aos irmãos - a fruição daquelas árvores “ensolaradas” foi se tomando sombria. O sabor, a alegria, misturaram-se ao fel da desigualdade, ao sentimento de que a cidade é fechada para os pobres (p. 35). 
José Moura Gonçalves Filho. Humilhação social - um problema político em psicologia. Psicol. USP, São Paulo, v. 9, n. 2, p. 11-67, 1998. 

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