Li "No buraco", do Tony Bellotto (Companhia das Letras, 2010).
Acho que sou a leitora ideal de coisas ruins e pretensiosas. Ao final, estava mesmo entretida com o mistério. Mas desde o começo incomoda a narrativa básica, se apresentando como autêntica e despretensiosa, mas com os andaimes à mostra e sem nenhum estofo, sem músculos, sem trabalho. Sem caixa de ressonância (e sem amplificador). Um fluxo de consciência que não remete a uma vida interior e obedece, na verdade, às necessidades de uma narrativa que se pretende ágil e descolada.
A profusão de citações faz pensar que ele gostaria de ser notado como um Nick Hornby brasileiro, mas não dá. Parece que a autoficção pode ser mesmo coisa de gente que se tem em muito alta conta. Roman à clef que não precisa de clef e, no limite, nem do roman. Contraste agudo com o leopardo-das-neves e sua tristeza extraordinária (Joca Reiners Terron, Companhia das Letras, 2013).
Não que o simples e despretensioso seja necessariamente ruim. O que separa este autor do Mario Levrero de Deixa comigo (Rocco, 2013)? O 'talento'? Ou, nas palavras deste último, uma 'experiência espiritual' que se deixa comunicar?
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