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| que capa linda! |
Autor: María Teresa Andruetto
Título: Stefano
Editora: Sudamericana, 2012
Tinha expectativas exageradas a respeito deste livro, que vem se juntar a um conjunto de leituras recentes a respeito das duas Grandes Guerras: No exílio, da Elisa Lispector, O pintor debaixo do lava-loiças, do Afonso Cruz, Private Peaceful, do Michael Morpurgo*, Once, do Morris Gleitzman, Postais da terra de ninguém, do Aidan Chambers. Culpa minha, então, se me decepcionei.
Aqui, a história é narrada em seções que se intercalam: uma delas, em terceira pessoa, vai acompanhando o Stefano desde o momento em que se despede da mãe para emigrar com os amigos; na outra, em primeira pessoa, o mesmo Stefano conta à sua mulher Ema como era a vida com a mãe na Itália e manifesta sua saudade. Mas os dois discursos se confundem porque a narrativa tem um foco fechadíssimo num mesmo protagonista, sem que se desenhe a distância entre o menino e o homem feito.
Ao compartilhar com Ema fragmentos da sua trajetória, ele se atém ao esboço de cenas (muitas vezes no pretérito imperfeito) que se acumualam e criam um efeito de repetição, não de aprofundamento ou complexidade. A exceção está na página 47, quando Stefano conta um episódio único em que, tendo sido encarregado de levar uma refeição para um mendigo cego, não resiste e come a encomenda. [Numa releitura, percebo meu equívoco: na verdade, existem várias dessas mini narrativas, ainda que o tom prevalente seja o do "era assim que se passava", "era assim que as coisas eram" de uma maneira geral.]
Na parte inicial ("Uno"), senti a sombra do Titanic do James Cameron e dos musicais sobre a imigração italiana que víamos no teatro (Bella ciao etc.).
Ao final, parece que Stefano continua sendo Stefanin: os seus diálogos com Tersa, por exemplo, ecoam as conversas que ele tinha com a mãe. Não sentimos a passagem do tempo, aliás prometida na abertura do livro: "En diez años". Parece que não houve um processo; existe apenas o mecanismo mágico dos flashbacks e flashforwards.
Na página 94, já preparando o final da história, o narrador diz: "Stefano tiene veinte años, pero está cansado como si fuera un hombre de cuarenta". E então as posições se invertem, também magicamente: ele encontra uma menina, Ema, e com ela se casa.
Alguns recursos literarizantes não funcionam muito bem; são apenas corretos. É o que sinto, por exemplo, na página 21, quando uma oração se mistura à narrativa do terror da tempestade. Como em outras leituras que me desapontaram, percebo uma espécie de fôlego insuficiente, que procura se esconder atrás de estruturas de aparência inovadora.
Tenho que admitir, é claro, que essa falta de ar é, antes de tudo, minha. É um dos meus grandes medos. Talvez por isso eu a enxergue por todos os lados.
Nota:
* O pai de Stefano morreu na batalha do Rio Piave, no final da Primeira Guerra Mundial, o que faz destes dois livros (Stefano e Private Peaceful) parentes próximos.
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