20.2.19

Sugar & spice

Mark Beech




Autor: Enid Blyton
Ilustrador: Jan McCafferty
Editora: Edmont, 2014
(first published in 1943)




Acredito que este livro seja um bom exemplo do que se costuma chamar de convencional e escapista na literatura infantil: sugar and spice and all things nice etc. Oh!s and Wow!s abound. Não dá pra acreditar que foi escrito e publicado durante a Segunda Guerra Mundial. Ou dá?

Acho que esse problema tem a ver também com o desejo (a necessidade?) de produzir séries de livros. Existe uma fórmula: uma vez estabelecido um ambiente, alguns personagens-chave, algumas regras, as "aventuras" podem se multiplicar sem depender de sequência lógica ou cronológica. Para que cada "aventura" seja assim independente, tudo o que foi definido no início precisa permanecer estável, inclusive os personagens. O resultado é que mesmo o que deveria ser novo e surpreendente a cada episódio acaba soando sempre requentado e o narrador precisa carregar nas aparências, descrevendo tudo com hipérboles e exclamações.

Em casa, tenho outro livro da autora: Uma vitória da Turma dos Sete, com ilustrações de Derek Lucas e tradução de Áurea Brito Weissenberg (Cedibra, (1955) 1972). O efeito mercadoria aparece desde a capa, que traz ilustração e blurb de uma outra "aventura" da mesma série, como que provando que são mesmo intercambiáveis... A ilustração das guardas também é reveladora da diluição e da perda de qualidade na edição brasileira.

Tudo já estava dito nas críticas formuladas nas décadas de 40 e 50, que identificavam elitismo, sexismo, racismo e xenofobia nos livros da autora. Ainda acho que, se a gente conversa sobre o que está sendo lido, tudo acaba sendo uma oportunidade de discutir, de descobrir inclusive a precariedade das mensagens embutidas nas histórias que a gente lê. Mas mesmo assim fica uma sensação de perda de tempo.

Preciso, como um antídoto, procurar e ler os livros do Richmal Crompton e da Edith Nesbit.

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